Fundação Padre Albino
Fatores de risco cardiovascular já atingem os mais jovens, alerta cardiologista do HEC
Eric Ribeiro
quarta, 18 de fevereiro, 2026

Homens entre 20 e 30 anos já apresentam fatores de risco cardiovascular que, até pouco tempo atrás, eram mais comuns a partir dos 40 anos. Dados do National Health and Nutrition Examination Survey, grande programa de pesquisa de saúde realizado nos Estados Unidos, mostram que, entre adultos de 18 a 39 anos, parcela significativa já convive com pressão alta ou colesterol elevado — muitas vezes sem saber. O cenário acende alerta para a necessidade de prevenção cada vez mais precoce.

De acordo com o cardiologista do Hospital Emílio Carlos, Edson Sinhorini, a mudança no perfil etário das doenças cardíacas está diretamente relacionada ao estilo de vida adotado pelas novas gerações. “Durante muitos anos associamos infarto, arritmia e hipertensão ao envelhecimento, mas essa não é mais a realidade. Hoje encontramos alterações de pressão e colesterol antes dos 30 anos. Sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, privação de sono, estresse crônico, consumo excessivo de álcool, energéticos e estimulantes para melhorar desempenho físico formam um conjunto que acelera o envelhecimento do sistema cardiovascular. O uso de esteroides anabolizantes também é uma preocupação crescente. Esses fatores contribuem para disfunção endotelial, inflamação vascular e remodelamento cardíaco ao longo dos anos. Todo conjunto de alterações pode resultar não apenas em infarto, mas também em AVC, insuficiência cardíaca, arritmias e outras doenças cardiovasculares”, alerta.

Entre as mulheres há fatores específicos que aumentam o risco cardiovascular ao longo da vida, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional, menopausa precoce e doenças autoimunes. Essas condições podem antecipar o surgimento de problemas cardíacos e, por isso, exigem acompanhamento médico regular e atenção contínua à saúde do coração.

Para o cardiologista Edson Sinhorini, a prevenção deve começar cedo. “A avaliação dos fatores de risco precisa ter início ainda na vida adulta jovem, geralmente entre os 18 e 20 anos, com atenção especial à pressão arterial, ao perfil lipídico e aos hábitos de vida. O aumento da obesidade já na adolescência tem provocado alterações metabólicas precoces, que favorecem o desenvolvimento progressivo da doença cardiovascular ao longo dos anos. Essa avaliação inclui a aferição periódica da pressão arterial, exames de colesterol e glicemia, além da análise do histórico familiar. Em alguns casos selecionados também pode ser solicitada a dosagem da lipoproteína(a), marcador genético de risco cardiovascular recomendado pelo menos uma vez na vida adulta”, destaca.

Ainda segundo o especialista, a principal estratégia continua sendo a mudança de hábitos. Manter alimentação equilibrada, priorizando alimentos naturais, praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, abandonar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, garantir sono adequado e controlar o peso são medidas essenciais para reduzir o risco de eventos cardíacos.

 

Foto: Divulgação FPA